sonhar é preciso...

Pedra filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste,capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto,sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som,televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

António Gedeão

Faz hoje 12 anos que Rómulo Vasco da Gama de Carvalho (António Gedeão), nos deixou...
A obra, essa, continua em perpétuo movimento.

////////\\\\\\\\



© Nuno Rosa

Desde que conheci o Nuno, há 14 anos atrás, nos tempos da faculdade, que o via incessantemente a desenhar a fazer BD, mesmo que fosse num guardanapo, numa toalha de papel, qualquer suporte era bom. E estava sempre de caneta e papel na mão. Nas aulas passava papelinhos aos colegas com pequenas histórias desenhadas (geralmente carregadas de humor "negro" :)

Mas também o vi passar anos, sem pegar num papel ou numa caneta!

Este ano voltou...
aos aparos, ás canetas e aos diários gráficos...

E ontem pela primeira vez, desenhou-me!!!
Valeu a pena esperar :)

...


Para saborear...
Quente e sem pressa ...


de 2008



base em cartão, tecidos e folhas secas da Vila de Sintra (20X20)

Ilustração que fiz por altura do Natal, para uma empresa de técnologias de informação e que serviu como base para depois ser transformada num postal electrónico animado.
Num próximo post coloco as ilustrações que desenvolvi para a terra design já em 2009.

Quero só ir por aí...
Sentir o que por aí houver,
Rever o que ainda não vi,
Provar da tua comida,
Ouvir as tuas histórias
Ir por ai


hoje não desenhei, escrevi !!